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Publicado em: 25/10/2007
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Kit detecta anticorpos contra receptores cardíacos

Vilma Homero

 Divulgação

 

Pesquisa pretende melhorar qualidade de vida de
pacientes com cardiomiopatias chagásicas dilatadas

Cardiomiopatias dilatadas, sejam de origem desconhecida ou provocadas por doença de Chagas, costumam ser uma das principais causas para transplantes de coração. Também são condições que levam à presença de anticorpos no sangue. Detectar esses anticorpos por meio de um kit Elisa específico, para num segundo momento removê-los, pode significar grande melhora na qualidade de vida desses pacientes e talvez evitar ou adiar o transplante. É o que propõe o cardiologista Antonio Carlos Campos de Carvalho, do Instituto de Cardiologia de Laranjeiras, em sua pesquisa “Kit Elisa para detecção de anticorpos contra receptores cardíacos”,  apoiada pelo programa Rio Inovação, da FAPERJ.

 

“Em mais de 30% dos doentes com cardiomiopatia dilatada pode-se detectar a presença de anticorpos contra receptores cardíacos, o que significa que se trata de uma resposta importante quando se procura entender as causas da doença ou de seu desenvolvimento”, explica o médico. O kit proposto procura atender a três características: sensibilidade, especificidade e estabilidade. “Com isso, teremos um método com sensibilidade para detectar anticorpos específicos e com estabilidade suficiente para garantir resultados adequados, mesmo que o material só seja testado após algum tempo”, exemplifica Carvalho. 

 

O principal problema é que certos anticorpos têm atividade funcional sobre o músculo do coração, o que, em geral, pode induzir arritmias e morte celular, como já foi demonstrado por diversos autores. “A técnica de Elisa em si não permite distinguir anticorpos funcionalmente ativos dos que não mostram atividade cardíaca funcional”, diz o pesquisador. Mas já foi testada na prática terapêutica em alguns países, entre eles a Alemanha, a retirada desses anticorpos. “Os trabalhos nessa linha demonstram que nos dilatados idiopáticos (em que a doença tem origem desconhecida), a remoção de anticorpos contra receptores cardíacos do sangue do paciente promovem uma melhora clínica significativa”, esclarece o pesquisador.

Em países como a Alemanha, esse tipo de tratamento, a remoção dos auto-anticorpos, já faz parte da prática médica, especialmente no caso de doenças auto-imunes. “Nos casos de pacientes cardíacos, esse procedimento possibilita um grande aumento na capacidade de bombeamento do coração, que pode passar de 30% para 40%”, exemplifica. Numa espécie de filtragem sangüínea, semelhante a um processo de diálise, os anticorpos se unem, por adsorção, a uma coluna especialmente desenvolvida para este fim. Em modelos animais, testados aqui, os resultados foram animadores, numa indicação de que a resposta em humano poderá ser igualmente bem-sucedida.

 

Para desenvolver o trabalho, o cardiologista está em entendimentos com uma empresa alemã, a Fresenius, que produz máquinas de hemodiálise e já tem equipamento nessa linha. “A idéia é de que a empresa não só nos possibilite o uso do aparelho, como também comercialize o kit Elisa”, diz Carvalho. Assim, durante a pesquisa, pode-se confirmar se aqui se repetem os resultados obtidos em países europeus. “A diferença é que, enquanto lá os casos de cardiopatia dilatada são de natureza idiopática, lidamos aqui também com os que têm origem na doença de Chagas – que não existe na Europa. Precisamos ver se os resultados se repetem”, diz.

Em busca de alternativas terapêuticas

No Brasil, seis milhões de pessoas sofrem de doença de Chagas. Em 30% dos casos, os pacientes desenvolvem uma inflamação crônica no coração e a insuficiência cardíaca leva os indivíduos à morte em dez anos. Nos níveis mais avançados da doença, a sobrevida é, em média, de apenas um ano, a menos que os pacientes consigam um transplante de coração, procedimento ao qual a maioria não tem acesso.

Na busca de alternativas de tratamento para pacientes cardíacos que evoluem mal às terapêuticas convencionais, o pesquisador também faz parte do grupo de médicos que pesquisa o emprego de células-tronco. Células retiradas da medula do próprio doente, no chamado transplante autólogo, são introduzidas no músculo cardíaco por meio de cateterismo. “Já fizemos experimentação animal e testes com pacientes no Hospital Pró-Cardíaco e no Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ”, lembra o médico. “Já fizemos também ensaios clínicos de fase 1 e 2 para mostrar que esse tipo de terapêutico não causa malefício algum aos pacientes. Atualmente, estamos procedendo a um grande ensaio clínico de fase 3, ou seja, para testar a eficácia da terapia celular, em estudos randomizados, duplo cegos e placebo controlados. Teremos os primeiros resultados destes ensaios em mãos em meados de 2008”, concluiu.
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