Roni Filgueiras
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Divulgação/ Embrapa |
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| Instalações da Embrapa: desenvolvimento e melhoria de tecnologia do agronegócio do país |
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| O sabor do suco de abacaxi não se altera com o uso da evaporação osmótica e osmose inversa |
A osmose inversa é feita com um filtro especial que distingue as moléculas a partir das suas características físico-químicas. “Embora os processos com membranas sejam relativamente recentes, hoje eles são bastante empregados nas indústrias petroquímica, de gases, nas refinarias, na de alimentos e na dessalinização de água, que usa uma membrana capaz de reter sal e deixa passar a água potável”, explica. A osmose inversa tem a vantagem de ser a frio, não alterando o sabor.
Mas o processo apresenta um porém. Trata-se da concentração de açúcares no fim do processo. Na indústria, essa qualidade é quantificada por meio do grau brix. O grau brix afere os sólidos solúveis no suco da fruta. Estes sólidos se compõem basicamente de açúcares (sacarose, frutose e glucose), ou seja, o brix mede a porcentagem de açúcar de um suco. “A limitação da OI é que o fator de concentração máximo do suco de frutas tropicais fica em 35 brix. Para comparar, com os métodos usados atualmente na indústria de sucos, essa concentração fica em 60 brix”, explica Lourdes, mestre e doutora pela Coppe/UFRJ, sobre processos com membranas.
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Lourdes: técnica traz vantagens |
Aí também não há a restrição do fator de concentração. É possível alcançar uma concentração de 65 brix. O primeiro estudo com esta técnica foi feito no Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement (Cirad, na sigla em francês), no sul da França, com a fruta camu-camu, que tem 3.000ml de vitamina C, e não houve perda desta vitamina. “Percebi que o interessante seria usar os dois processos”, concluiu Lourdes. “Primeiramente, faríamos a pré-concentação por osmose inversa e depois concentraríamos o suco usando a evaporação osmótica”, exemplifica a pesquisadora, que ficou um ano na França estudando a concentração de suco de abacaxi, no Cirad. Recentemente, proferiu uma conferência sobre a conservação de frutas L’utilisation de la technologie membranaire pour la conservation et concentration des jus des fruits, na Universidade de Avignon.
Lourdes e a sua parceira nas pesquisas, Virginia Matta, estão na fase de estudos da viabilidade técnica e econômica dessa tecnologia. Em seguida, segundo Lourdes, o grande desafio é convencer a indústria das vantagens da implantação desses métodos. “As técnicas apresentam grandes vantagens em relação às tradicionais”, argumenta. “É um processo mais econômico, já que o custo energético é menor, pois é feito à temperatura ambiente, em ambas as etapas.”
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