Danielle Kiffer
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Gospel Rio blogspot |
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| O uso da fantasia de bate-bola, segundo Felipe Ferreira, cresce a cada ano, virando expressão da cultura popular |
De acordo com Felipe Ferreira, o índio de cordão é um símbolo do carnaval da virada do século XIX para o XX, quando a imagem romântica e idealizada do índio heróico e puro era identificada com um nascente nacionalismo. "Na época, essa era uma fantasia bastante comum nas ruas do Rio. Havia cordões – os blocos da época – usando essa fantasia", conta o pesquisador. Analisando a vestimenta, geralmente composta por um saiote e uma coroa de penas, é possível perceber que a imagem reproduzida está bem longe da realidade da figura do índio brasileiro. "A roupa é uma construção do imaginário, das ideias do que o índio representa", afirma.
Marcando outra época importante do carnaval brasileiro, surge o malandro, como um reflexo do movimento de valorização da cultura negra nos Estados Unidos, na década de 1920. "Nessa época, a cultura negra ganha prestígio mundial. Os negros americanos começam a se impor como grupo, recriando seu próprio conceito de elegância, com camisas berrantes, ternos brancos com calças e paletós maiores do que o normal. Isso acontece justamente na época em que o samba começa a se fortalecer no Brasil. Alguns sambistas brasileiros incorporam essa atitude como uma forma nova de se vestir", detalha. A partir daí, a imagem do malandro vai se espalhar e virar o símbolo das escolas de samba e irá se impor, nas décadas de 1930 a 1940 como importante expressão popular do Brasil, sendo inclusive exportado para o mundo inteiro.
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Divulgação/ICCA |
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O cantor americano (à esq.) Cab Calloway |
Com o tempo, esta fantasia passa a despertar o interesse de jovens, que formarão grupos rivais. Tudo isto detonará uma disputa física entre grupos de diferentes interesses, que evoluirá para uma disputa visual e de performances. “Eles começarão a se organizar, a formar grupos, a planejar suas roupas. Criam características diferentes e isto enriquece muito a fantasia. A cada ano, isto vai crescendo de maneira fenomenal, virando uma expressão da cultura popular, que reflete este processo”, destaca.
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