Vilma Homero
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Reprodução |
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| Segundo a pesquisa, o alcoolismo tem aumentado entre os idosos |
“No Brasil, as estatísticas de mortes por suicídio não são confiáveis e devido a problemas legais e gerenciais geralmente são subnotificadas. Os números do Sistema Único de Saúde (SUS) e do sistema que reúne informações dos vários centros toxicológicos do país são discrepantes. Além disso, por diversos motivos – como a falta de preparo da recepção desses serviços e da dificuldade da própria situação numa emergência – faltam dados nos prontuários dos serviços de atendimento de urgência”, critica Estellita-Lins. “Será preciso reconduzir o risco de suicídio para o foco das atenções em emergência como ocorre na Europa” conclui.
No idoso, a questão se torna ainda mais complexa. O suicídio, nesta fase da vida, está sempre atrelado a questões externas. “A depressão é o principal fator para isso. O alcoolismo também tem aumentado na terceira idade e, como se sabe, o álcool, assim como o abuso de substâncias tranqüilizantes e de certos medicamentos – e o idoso toma regularmente um grande número deles – pode levar à depressão”, explica o psiquiatra. Pessoas na terceira idade são particularmente vulneráveis à depressão, já que vivenciam diversas perdas. Ao aposentar-se, deixam a vida produtiva e têm sua renda reduzida. Provavelmente também já perderam familiares e enfrentam a solidão. Ou precisam morar com um dos filhos e nem sempre têm suas necessidades atendidas ou são bem tratados. Às vezes, podem, inclusive, sofrer abuso dos próprios cuidadores”, continua.
Segundo o psiquiatra, chega a haver preconceito com relação àqueles que tentam se matar. Muitos relatam que são alvo de preconceito das equipes que os atendem nas emergências. “Há um pensamento comum e bastante equivocado compartilhado por esses profissionais - de que poderiam estar salvando outras vidas e não atendendo a quem quis acabar com ela. O que indica que a depressão e o risco de suicídio tendem a ser ignorados enquanto agravos à saúde ou doenças”, explica.
Durante a primeira etapa da pesquisa, e para conhecer melhor essa população, Estellita-Lins desenvolveu entrevistas com os usuários, familiares e profissionais do CPRJ, em cuja emergência passam diariamente cerca de cem pacientes. “Também já fizemos algum treinamento hospitalar. Nossa maior ambição seria poder influir na reforma psiquiátrica e que a Fiocruz criasse um protocolo para identificar pacientes de risco e preparar os profissionais para lidar com eles. A ausência de treinamento especializado para a psiquiatria de urgência ainda dificulta o atendimento no serviço público”, afirma Estellita-Lins. Até o fim do ano, o grupo espera que essa fase da pesquisa, o vídeo e o guia estejam finalizados. Articulado a iniciativas de outros centros de pesquisa, esse pode ser o passo inicial para se começar a mudar uma realidade.
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